PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO

 

 

ACÓRDÃO

 

 

                                                           Vistos, relatados e discutidos estes autos de Mandado de Segurança, Nº. 843889.3/4-0000-000, da Comarca de São Paulo, em que é(são) IMPETRANTE(s) M.D.M., sendo IMPETRADO(s) MM. JUIZ DE DIREITO DO DIPO.

 

                                                           ACORDAM, em 2ª Câmara do 1º Grupo da Seção Criminal, proferir a seguinte decisão: "POR V. U. NÃO CONHECERAM DO MANDADO DE SEGURANÇA E, POR MAIORIA DE VOTOS, NEGARAM A CONCESSÃO DE "HABEAS CORPUS" DE OFÍCIO, PARA OS FINS A QUE PROPÔS O NOBRE RELATOR SORTEADO. VENCIDO O RELATOR SORTEADO QUE FARÁ DECLARAÇÃO DE VOTO. ACÓRDÃO COM O DES. TEODOMIRO MENDEZ, RELATOR DESIGNADO.", de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.

 

                                                           O julgamento foi presidido pelo(a) Desembargador(a)

MARIANO SIQUEIRA e teve a participação do Desembargador, ROBERTO MORTARI (Relator sorteado, vencido) e ROBERTO MARTINS DE SOUZA.

 

                                                           São Paulo, 31 de outubro de 2005

 

 

 

TEODOMIRO MÉNDEZ

Relator Designado

 

 

VOTO Nº.      10.618           RELATOR DESIGNADO

MANDADO DE SEGURANÇA Nº.: 843.889-3/4-00

COMARCA: SÃO PAULO

IMPETRANTE: M.D.M.

IMPETRADO: MM. JUIZ DE DIREITO DO DIPO

 

                                                           Vistos.

 

                                                           Trata-se de mandado de segurança impetrado por M.D.M., contra ato do MMº. Juiz de Direito da Vara do D.I.P.O., Comarca da Capital, que indeferiu pedido no sentido de que fossem excluídos do banco de dados do I.I.R.G.D. todos os registros existentes a seu respeito, referentes a inquéritos policiais arquivados e a ações penais em que foi absolvido.

 

                                                           Sustenta o impetrante, em síntese, ter direito líquido e certo ao sigilo a respeito dos mencionados registros, o que só restará efetivamente assegurado com a exclusão objetivada.

 

                                                           Pleiteia, pois, para tal finalidade, a concessão da segurança.

 

                                                           O mandamus foi regularmente processado, com a juntada das informações de estilo, opinando a d. Procuradoria Geral de Justiça, preliminarmente, no sentido de que o impetrante seja julgado carecedor da segurança, ou do contrário, quanto ao mérito, pela denegação.

 

                                                           Por determinação da relatoria sorteada, veio aos autos a folha de antecedentes atualizada do impetrante.

 

                                                           É o relatório.

 

                                                           De rigor reconhecer o impetrante carecedor da ação. De fato, devidamente intimado para regularizar sua situação processual, respectivo prazo decorreu in aIbis. Por conseguinte, mister extinguir o presente Mandado de Segurança, sem julgamento de mérito, como bem explicitou o nobre Relator Sorteado.

 

                                                           Entretanto, data vênia o entendimento esposado pelo nobre Relator Sorteado, não há respaldo jurídico no tocante à concessão de habeas corpus de oficio, para beneficiar o impetrante nos termos requeridos.

 

                                                           Isso porque, como é sabido, a instauração de um inquérito policial exige que ele seja registrado para que se possa saber de sua existência. O ajuizamento de ação penal é registrado em livros próprios no momento da distribuição. A condenação ou a absolvição de um acusado também é registrada em livros pertinentes. A extinção da punibilidade do condenado, por qualquer motivo, é devidamente registrada.

 

                                                           Os registros são, na atualidade, mantidos em um Banco de dados do I. I. R. G. D.. A atualização dos registros é feita no momento em que a situação do inquérito ou do processo é modificada.

 

                                                           Os registros antigos e atualizados não podem ser apagados. Eles constituem a vida pregressa de uma pessoa que comete ilícitos penais. A manutenção dos registros tem base no art. 6º, inc. VIII, do Código de Processo Penal.

 

                                                           Dispõe esse inciso: "ordenar a identificação do processo datiloscópico, se possível, e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes".

 

                                                           Como bem explicitou o eminente Desembargador Dr. Almeida Braga, nos autos do Mandado de Segurança 416.545-3/6-00, "a folha de antecedentes é constituída da vida pregressa de um acusado, ou seja, dos registros dos inquéritos policiais que ele respondeu e das ações penais que foram ajuizadas contra sua pessoa. Os dados, que fornecem a folha de antecedentes, no Estado de São Paulo, estão arquivados do IIRGD. Se os dados forem excluídos, não há como expedir folha de antecedentes porque não se poderá saber se um acusado cometeu ou não infrações penais anteriores àquela que está respondendo.

 

                                                           Os dados da vida pregressa de uma pessoa, no campo penal, são vitais para a fixação da pena, para a concessão de liberdade provisória mediante fiança ou sem fiança, para saber se o acusado é ou não reincidente, bem como para a fixação do regime prisional inicial a ser fixado na hipótese de acolhimento de ação penal. Esses dados são vitais, também, para a prática de inúmeros atos da vida civil de qualquer pessoa.

 

                                                           Os registros de instauração de inquéritos policiais, de ajuizamento de ações penais, do resultado dessas ações e da extinção de punibilidade de um condenado são legais e possuem amparo em lei. A abolição desses registros fere legislação existente”.

 

                                                           Há limitação quanto à divulgação dos dados criminais pertinentes a um cidadão. Os dados não podem ser divulgados em determinadas hipóteses. A disciplina da divulgação dos dados encontra-se na Constituição do Estado de São Paulo, na Lei de Execução Criminais, no Código de Processo Penal e nas Normas de Serviço da Corregedoria Geral da Justiça do Estado de São Paulo.

 

                                                           A Constituição do Estado de São Paulo, em seu artigo 291, dispõe que as certidões criminais para fins civis não podem mencionar inquéritos arquivados e condenações julgadas extintas, com exceção quando se trata de requisição judicial, do Ministério Público ou para fins de concurso público.

 

                                                           O artigo 748, do Código de Processo Penal proíbe a menção de condenação ou condenações anteriores de condenado reabilitado, exceto quando a finalidade é para instruir processo criminal.

 

                                                           O artigo 202, da Lei de Execução Penal dispõe que: "cumprida e extinta a pena, não constarão da folha corrida, atestados ou certidões fornecidas pela autoridade policial ou por auxiliares da justiça, qualquer notícia ou referência à condenação, salvo para instruir processo pela prática de nova infração penal ou outros casos expressos em lei".

 

                                                           O item 54, Capitulo VII, das Normas de Serviço da Corregedoria Geral de Justiça do Estado de São Paulo, determina:

 

                                                           "As certidões de antecedentes e os relatórios de pesquisa eletrônica serão expedidos com a anotação NADA CONSTA nos casos a seguir enumerados:

                                                           a) inquéritos arquivados

                                                           b) indiciados não denunciados;

                                                           c) não recebimento de denúncia ou queixa-crime;

                                                           d) declaração da extinção de punibilidade,

                                                           e) trancamento da ação penal;

                                                           j) absolvição

                                                           g) impronúncia,

                                                           h) pena privativa de liberdade cumprida, julgada extinta, ou que tenha sua execução suspensa,

                                                           i) condenação à pena de multa isoladamente;

                                                           j) condenação à pena restritiva de direitos, não convertida em privativa de liberdade;

                                                           l) reabilitação não revogada;

                                                           m) pedido de explicação em Juízo, interpelação e justificação;

                                                           n) imposição de medida de segurança, consistente em

tratamento ambulatorial;

                                                           o) suspensão do processo prevista no artigo 89 da Lei 9099/95;1

                                                           p) feitos relativos aos Juizados Especiais Criminais em que não haja aplicação de pena privativa de liberdade". (sem grifo no original).

 

                                                           E, adiante, no item 54.4:

 

                                                           "O disposto nos itens anteriores não se aplica às requisições judiciais, requerimento do pesquisado ou seu representante legal"

 

                                                           Como se vê, a permanência dos registros no Instituto de Identificação não causará constrangimento ilegal ao impetrante, haja vista que, a pedido de pessoa qualquer, as informações concernentes à existência de inquéritos instaurados contra sua pessoa e de ações penais que respondeu, serão devidamente resguardadas.

 

                                                           Isto posto, por votação unânime, não conheceram do mandado de segurança e, por maioria de votos, negaram a concessão de habeas corpus de ofício, para os fins a que propôs o nobre Relator Sorteado.

 

 

 

TEODOMIRO MENDEZ - Relator Designado

 

 

 

VOTO Nº. 9.578 - DESEMBARGADOR ROBERTO MORTARI

 

Mandado de Segurança nº. 843.889-3/4-00 - São Paulo

 

Impetrante: M.D.M.

 

Impetrado MM Juiz de Direito da Vara do D.I.P.O.

 

 

DECLARACÃO DE VOTO VENCIDO

 

 

                                               1. Ousei, data venia, divergir da douta maioria.

 

                                               2. Trata-se de mandado de segurança impetrado por M.D.M., contra ato do MMº Juiz de Direito da Vara do D.I.P.O., Comarca da Capital, que indeferiu o seu pedido no sentido de que fossem excluídos do banco de dados do I.l.R.G.D. todos os registros existentes a seu respeito, referentes a inquéritos policiais arquivados e a ações penais em que foi absolvido.

 

                                               Com esteio nas razões de fls. 2/8, sustenta o impetrante, em síntese, ter direito líquido e certo ao sigilo a respeito dos mencionados registros, o que só restará efetivamente assegurado com a exclusão objetivada.

 

                                               Pleiteia, pois, para tal finalidade, a concessão da segurança.

 

                                               O mandamus foi regularmente processado, com a juntada das informações de estilo, opinando a d. Procuradoria Geral de Justiça, preliminarmente, no sentido de que o impetrante seja julgado carecedor da segurança, ou do contrário, quanto ao mérito, pela denegação.

 

                                               Por determinação desta relatoria, veio aos autos a folha de antecedentes atualizada do impetrante.

 

                                               Esse, no essencial, o relatório.

 

                                               3. O impetrante é carecedor da ação, porquanto ainda que intimado, deixou de regularizar sua representação processual. Isso conduz à extinção do presente mandado de segurança, sem julgamento do mérito, nos termos do artigo 267, VI, do Código de Processo Civil, aqui aplicado por força do disposto no artigo 3º do Código de Processo Penal.

 

                                               4. Impõe-se, contudo, que seja concedido e deferido um habeas corpus de oficio em seu favor.

 

                                               O requerente formulou o presente pedido, apontando como autoridade pública coatora o MMº Juiz de Direito da Vara do D.I.P.O., Comarca da Capital, objetivando a exclusão das anotações criminais que existem a seu respeito no banco de dados do Instituto de Identificação "Ricardo Gumbleton Daunt" (l.I.R.G.D.), pretensão que lhe foi indeferida em Primeiro Grau.

 

                                               Para tanto, sustenta ter direito ao sigilo de todos os inquéritos policiais arquivados e processos em que foi absolvido ou teve decretada a extinção da sua punibilidade, de conformidade, aliás, com orientação que segue prevalecendo nos Tribunais Superiores do país. E com razão.

 

                                               Com efeito, o debate sobre o sigilo dos registros criminais e o direito de obter certidões ou atestados dos quais não constem condenações anteriores tem ocupado relevante espaço na doutrina e na jurisprudência, por envolver questão de fundo de alta relevância, que é a reabilitação do condenado e a sua reintegração ao convívio social.

 

                                               Importa frisar, nesse ponto, que essa reintegração não pode ser apenas retórica. Trata-se do maior objetivo de qualquer procedimento penal, seja ele de conhecimento ou de execução. Apura-se um fato, processa-se o agente, aplica-se uma punição, executa-se a pena imposta, mas sempre com o fito de ressocializar o infrator e reintroduzi-lo na sociedade, plenamente recuperado e sem marcas, pronto para retomar uma vida normal, livre de preconceitos e discriminações. A reintegração deve ser plena.  

                                               Daí porque o nosso Código de Processo Penal, em seu artigo 748, assegura ao reabilitado o sigilo das condenações anteriores na folha de antecedentes ou nos registros dos livros dos juízos, salvo quando requisitados por juiz criminal para instruir inquérito ou ação penal.

 

                                               Esse também o sentido do artigo 202 da Lei de Execução Penal, expresso no sentido de que, uma vez cumprida ou extinta a pena, não mais conste dos atestados ou certidões fornecidos por autoridade policial ou auxiliares de justiça qualquer referência à condenação, à exceção de quando requisitadas para instruir processo criminal em que se imputa a prática de nova infração penal.

 

                                               Ora, se nosso direito processual penal assegura ao reabilitado o sigilo de registros penais, é de rigor, também, a exclusão dos dados relativos a inquéritos arquivados, a processos em que tenha ocorrido a reabilitação do condenado, a processos em que o réu tenha sido absolvido, e a processos em que tenha sido reconhecida a extinção da punibilidade do acusado pela prescrição da pretensão punitiva estatal, dos terminais do Instituto de Identificação, de modo a preservar as franquias democráticas consagradas em nosso ordenamento jurídico, especialmente a intimidade do indivíduo, assegurando-lhe a plena reintegração ao meio social.

 

                                               Mesmo porque, o acesso aos terminais do I.I.R.G.D. é livre. Os computadores do Instituto de Identificação Ricardo Gumbleton Daunt de São Paulo podem ser acessados por particulares. E isso torna letra morta toda e qualquer disposição legal que lhe impõe o sigilo.

 

                                               Como o sigilo acerca dos seus antecedentes criminais, referentes a inquéritos policiais arquivados, a processos em que foi absolvido por decisão definitiva, a processos em que teve decretada a extinção da sua punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva estatal, e a processos em que obteve a reabilitação criminal, é um direito assegurado ao requerente pela legislação vigente, o livre acesso aos terminais do I.I.R.G.D. fere irremediavelmente esse direito, impondo-se, como única solução para a questão, a exclusão das anotações a ele relativas, existentes no Instituto de Identificação.

 

                                               Tais registros deverão permanecer intactos, única e exclusivamente, nos arquivos do Poder Judiciário, tendo em vista que, nos termos dos artigos 748 do Código de Processo Penal, e 202 da Lei de Execução Penal, poderão ser requisitados por Juiz Criminal, de forma fundamentada, a qualquer tempo, mantendo-se entretanto o sigilo em relação às demais pessoas.

 

                                               É nesse sentido, aliás, que vem decidindo, reiterada e pacificamente, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Confira-se, dentre inúmeros outros, os seguintes precedentes:

 

                                               "CRIMINAL. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. ANTECEDENTES CRIMINAIS. INQUÉRITOS ARQUIVADOS. REABILITAÇÃO, ABSOLVIÇÃO E RECONHECIMENTO DA PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA. EXCLUSÃO DE DADOS DO REGISTRO DO PODER JUDICIÁRIO. I - Esta Corte Superior tem entendido que, por analogia ao que dispõe o art. 748 do Código do Processo Penal, que assegura ao reabilitado o sigilo das condenações criminais anteriores na sua folha de antecedentes, devem ser excluídos dos terminais dos Institutos de Identificação Criminal os dados relativos a inquéritos arquivados e a processos em que tenha ocorrido a reabilitação do condenado, a absolvição do acusado por sentença penal transitada em julgado, ou tenha sido reconhecida a extinção da punibilidade do acusado pela prescrição da pretensão punitiva do Estado, de modo a preservar a intimidade do mesmo. (Precedentes). II - Tais dados entretanto, não deverão ser excluídos dos arquivos do Poder Judiciário, tendo em vista que, nos termos do art. 748 do CPP, pode o Juiz Criminal requisitá-los, de forma fundamentada, a qualquer tempo, mantendo-se entretanto o sigilo quanto às demais pessoas. (Precedente). Recurso desprovido. " (RMS 19.501/SP, 5ª Turma, Rel. Min. Felix Fischer, DJU de 01/07/2005).

 

                                               "CRIMINAL. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. ANTECEDENTES CRIMINAIS. INQUÉRITOS ARQUIVADOS. REABILITAÇÃO, ABSOLVIÇÃO E RECONHECIMENTO DA PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA. EXCLUSÃO DE DADOS DO REGISTRO DE IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. Esta Corte Superior tem entendido que, por analogia ao que dispõe o art. 748 do Código do Processo Penal, que assegura ao reabilitado o sigilo das condenações criminais anteriores na sua folha de antecedentes, devem ser excluídos dos terminais dos Institutos de Identificação Criminal os dados relativos a inquéritos arquivados e a processos em que tenha ocorrido a reabilitação do condenado, a absolvição do acusado por sentença penal transitada em julgado, ou tenha sido reconhecida a extinção da punibilidade do acusado pela prescrição da pretensão punitiva do Estado, de modo a preservar a intimidade do mesmo. Recurso provido." (RHC 16.202/SP, 5ª Turma, Rel. Min. Felix Fischer, DJU de 12/08/03).

 

                                               “CRIMINAL - ROMS - PROCESSO ARQUIVADO PELA INVIABILIDADE DA AÇÃO PENAL - CANCELAMENTO DE REGISTRO NA FOLHA DE ANTECEDENTES – RECURSO PROVIDO. I - É legítima a pretensão do recorrente que teve o processo a que respondia arquivado por requerimento do próprio Parquet, em razão da inviabilidade da ação penal, e pretende sejam apagados de sua folha de antecedentes quaisquer referências ao referido processo, visando a evitar prejuízos futuros. II - Recurso provido para que sejam canceladas as anotações relativas ao processo criminal, na folha de antecedentes da recorrente" (RMS 9.879/SP, 5ª Turma, Rel. Min. Gilson Dipp, DJU de 03/06/2002).

 

                                               "HABEAS CORPUS - PROCESSO PENAL ABSOLVIÇÃO - CANCELAMENTO DE REGISTRO NA FOLHA DE ANTECEDENTES - ORDEM CONCEDIDA. I - É legítima a pretensão de paciente que, absolvido por não ter concorrido para a infração penal, requer sejam apagadas, de sua folha de antecedentes, quaisquer referências ao processo criminal, visando a evitar prejuízos futuros. Precedente. II- Ordem concedida." (HC 15.206/RJ, 5ª Turma, Rel. Min. Gilson Dipp, DJU de 29/10/2001).

 

                                               “ADMINISTRATIVO. MANDADO DE SEGURANÇA. Antecedentes criminais. Sentenças penais absolutórias e inquéritos policiais arquivados. Sigilo de registros. Exclusão dos dados do instituto de informação. - Se o Código de Processo Penal, em seu artigo 748, assegura ao reabilitado o sigilo de registro das condenações criminais anteriores, é de rigor a exclusão dos dados relativos a sentenças penais absolutórias e inquéritos arquivados dos terminais de Instituto de Identificação, de modo a preservar as franquias democráticas consagradas em nosso ordenamento jurídico. – Recurso ordinário provido. Segurança concedida" (RMS 9.739/SP, 6ª Turma, Rel. Min. Vicente Leal, DJU de 28/05/2001).

 

                                               “MANDADO DE SEGURANÇA. ANTECEDENTES CRIMINAIS. REABILITAÇÃO COM TRÂNSITO EM JULGADO. NOME INCLUÍDO NOS TERMINAIS DO INSTITUTO DE IDENTIFICAÇÃO. ACESSO AS INFORMAÇÕES. SIGILO DOS REGISTROS, VIOLAÇÃO A DIREITO DO CIDADÃO. SEGURANÇA CONCEDIDA. Condenações anteriores não serão mencionadas na folha de antecedentes do reabilitado, nem em certidão extraída dos livros do juízo, salvo quando requisitado por juízo criminal. A reabilitação alcança quaisquer penas aplicadas em sentença definitiva, assegurando ao condenado o sigilo dos registros sobre seu processo e condenação. O livre acesso aos terminais do instituto de identificação fere direito daqueles protegidos pelo manto da reabilitação. IMPÕE-SE, ASSIM, A EXCLUSÃO DAS ANOTAÇÕES DO INSTITUTO, MANTENDO-SE TÃO SOMENTE NOS ARQUIVOS DO PODER JUDICIÁRIO.” (RMS 5.452/SP, 2ª Turma, Rel. Min. Hélio Mosimann, DJU de 12/02/96).

 

                                               Também este Colendo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, no v. acórdão prolatado aos 28/01/2002, por ocasião do julgamento do Habeas Corpus nº. 367.316-3/0-00, pela ilustrada 2ª Câmara Criminal de Férias, sob a relatoria do eminente Desembargador Silva Pinto, já teve oportunidade de deixar assentado que:

 

                                               “(...) um dos princípios estabelecidos pela Constituição Federal é a consagração da dignidade da pessoa (art. 1º, inciso III). Desse modo, os poderes públicos sempre têm a obrigação de respeitá-la. Ficar uma pessoa para sempre marcada somente porque respondeu a um processo crime mesmo sendo absolvida constitui uma afronta ao mencionado princípio da Lei Maior. Há mais. Se até mesmo os condenados cujas penas foram julgadas extintas tem direito ao sigilo, nos termos do art. 203 da LEP, é evidente que, com redobradas razões, idêntico direito assiste aos absolvidos. Pelas razões expostas nenhuma referência ao processo movido contra o impetrante, no qual logrou absolvição, deve ficar constando dos registros da Delegacia de Polícia e do Instituto de Identificação. (...)".

 

                                               Ora, não há qualquer razão para que essa orientação, firmada de há muito em nossa jurisprudência, não seja aplicada também ao requerente, para que sejam excluídos os registros relativos a inquéritos policiais arquivados, processos em que foi absolvido por decisão definitiva, processos em que teve decretada a extinção da sua punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva estatal, e processos em que obteve a reabilitação criminal, do banco de dados do l.I.R.G.D..

 

                                               Entender-se o contrário implicaria em total afronta aos artigos 748 do Código de Processo Penal, e 202 da Lei de Execução Penal, dispositivos da legislação federal pátria, bem como ao artigo 1º, III, da Constituição Federal.

 

                                               Nem se diga, por fim, que a matéria não justificaria a concessão de habeas corpus ex officio. O status libertatis do cidadão, que é tutelado em primeiro plano pelo remédio heróico, abrange também, inequivocamente, o direito de ir e vir livremente no meio social, sem ser molestado, recriminado ou discriminado por fatos pretéritos sobre os quais recai sigilo legal.

 

                                               5. Assim, pelo meu voto, com fundamento no artigo 267, VI, do Código de Processo Civil, julgava extinto o mandado de segurança, sem julgamento de mérito, por ser o impetrante M.D.M. carecedor da ação. A seguir, de oficio, concedia um habeas corpus em seu favor, a fim de determinar a imediata exclusão de todos os registros a ele referentes, relativos a inquéritos policiais arquivados, processos em que foi absolvido por decisão definitiva, processos nos quais teve decretada a extinção da sua punibilidade pela ocorrência da prescrição da pretensão punitiva estatal, e processos nos quais obteve a reabilitação criminal, do banco de dados do I.I.R.G.D., permanecendo os respectivos registros apenas nos bancos de dados do Poder Judiciário.

 

 

 

ROBERTO MORTARI

Relator Sorteado

 


 

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