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Monday , 20 de march de 2017

Promotoria de Direitos Humanos questiona representatividade dos negros na publicidade

Dia Internacional Contra Discriminação Racial marca semana
Dia Internacional Contra Discriminação Racial marca semana

MPSP pela representatividade dos negros na publicidadeA Promotoria de Justiça de Direitos Humanos da Capital, área de Inclusão Social, lança, nesta terça-feira (21/03), Dia Internacional Contra a Discriminação Racial, nova fase da campanha “Por que só um tom de pele?”, na página do Facebook do MPSP, em que questiona a baixa participação dos negros em peças publicitárias. O projeto é parte de inquérito civil instaurado pela Promotoria de Justiça para apurar o tema. A primeira fase da campanha foi realizada em setembro de 2016 (confira aqui).

Durante três dias, o Ministério Público de São Paulo proporá um debate, por meio de vídeos, entre produtores de conteúdo, estudantes de publicidade, anunciantes e a sociedade em geral ao questionar por que as propagandas sempre apresentam um mesmo padrão étnico-racial. A locução dos vídeos foi realizada pela promotora de Justiça Beatriz Fonseca, uma das idealizadoras do projeto. 

O último levantamento do IBGE, de 2015, aponta que 54% da população brasileira é composta por negros e pardos. Além disso, pesquisa sobre afro consumo realizada pela consultoria Etnus mostra que a população negra brasileira movimenta aproximadamente R$ 800 bilhões ao ano. Apesar disso, em 2016 apenas 24% dos comerciais com protagonistas crianças ou casais eram negros ou pardos, concluiu estudo da agência de propaganda Heads, em parceria com a ONU Mulheres.  

A pesquisa da Etnus mostra também que apenas 0,7% dos cargos de alta direção das principais agências de publicidade do país são ocupados por negros, o que, para os promotores de Justiça Eduardo Valério e Beatriz Fonseca, é um importante reflexo de como as equipes criadoras de conteúdo não conseguem representar a diversidade do país. “A publicidade não é apenas uma atividade econômica, mas também uma expressão cultural. Por isso, deve refletir a pluralidade étnica e cultural brasileira. Além disto, o negro cada vez mais amplia sua capacidade de consumo e parece que os publicitários não conseguem dialogar com ele. A busca da plena igualdade racial, nos termos do Estatuto da Igualdade Racial, passa por este aspecto”, afirma Eduardo Valério.

O Estatuto da Igualdade Racial recomenda que na produção de filmes, peças publicitárias e programas destinados à veiculação pelas emissoras de televisão e em salas cinematográficas, deverá ser adotada a prática de conferir oportunidades de emprego para atores, figurantes e técnicos negros, sendo vedada toda e qualquer discriminação de natureza política, ideológica, étnica ou artística, não se aplicando aos filmes e programas que abordem especificidades de grupos étnicos determinados.

A Promotoria de Justiça de Direitos Humanos, área de Inclusão Social, busca, a partir do inquérito civil instaurado e da campanha, promover a discussão do assunto “como forma de mudar convicções e mentalidades historicamente assentadas, mas que se mostram incompatíveis com os padrões civilizatórios do século XXI”, explica Valério.  

 

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