Atalho para Facebook
Atalho para Twitter
Atalho para Youtube
Atalho para Facebook
Atalho para Twitter
Atalho para Youtube

espaço

Friday , 09 de february de 2018

Ex-alunos de medicina da Famerp são denunciados por constrangimento em trotes

Promotoria apurou a ocorrência de agressões e humilhações
Promotoria apurou a ocorrência de agressões e humilhações

Por meio da Promotoria de Justiça de São José do Rio Preto, o Ministério Público de São Paulo denunciou 31 pessoas, hoje médicos, por crimes de constrangimento ilegal praticados reiteradas vezes quando eram alunos na Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp). As 50 vítimas eram também estudantes do mesmo curso, calouros dos denunciados. De acordo com a denúncia, apresentada pelo promotor de Justiça José Heitor dos Santos, os veteranos cometiam graves atos contra aqueles que tinham ingressado posteriormente na faculdade, sobretudo durante os trotes, mas também em outros momentos do cotidiano universitário. 

A Promotoria apurou que, na Famerp, a palavra de ordem é a hierarquia, principalmente em relação aos alunos mais antigos, que são chamados de “Deuses” e deveriam, portanto, ser servidos e obedecidos pelos alunos novatos. Uma das vítimas relatou que uma novata chegou a ser atingida por um tapa no rosto após ter olhado no rosto de uma veterana. Em outro caso, logo nos primeiros dias de aula, um grupo de alunos do 6º ano entrou na sala dos novatos, "fechou a porta e avisou sobre as regras de convivência na faculdade, informando que existia uma hierarquia entre os alunos, sendo os do 6º ano os mais graduados, e que as alunas calouras seriam chamadas de “biscates, “vagabundas” e prostitutas” e os calouros “deveriam participar obrigatoriamente dos esportes, além de outras imposições a que estavam sujeitos, em nome da integração, pois no futuro  poderiam se defrontar em instituição de saúde e precisariam deles”.

Crimes graves eram cometidos também durante festas promovidas pela Associação Atlética Acadêmica Euryclides Zerbini, integrada pelos alunos da Famerp. Os eventos foram financiados com a renda obtida com a venda do "kit bixo". Os alunos novatos eram ilegalmente constrangidos a comprar o material, cujo valor médio era de R$ 750, para ajudar a bancar festas durante o restante do ano. 

Durante esses eventos, as práticas constrangedoras continuavam. "Os calouros não podiam deixar as 'chopadas' sem autorização dos alunos antigos, serviam sempre de cabeça baixa e (...) os alunos antigos colocavam os calouros nus e de joelhos, enquanto, também nus, urinavam sobre eles, os xingavam, humilhavam, jogavam bebidas geladas sobre suas cabeças, nucas e corpos, o que ocorreu durante as três noites. As calouras foram colocadas de joelhos, constrangidas a ingerir cerveja, receberam reiterados banhos de bebidas geladas, algumas sofreram forte choque térmico, ficaram resfriadas, foram constrangidas a fazer a “mastiguinha da goiaba”, a mastigar e engolir alho cru, algumas foram agredidas com tapas nos rostos e costas, mordidas, passaram mal, outras foram impedidas de ir ao banheiro, e não podiam ir embora sem autorização. Algumas calouras, sempre de joelhos, foram constrangidas a fazer a 'mastiguinha da goiaba, bolacha e do alho', que consiste em dar uma porção destes alimentos para a primeira pessoa da fila mastigar e ir passando para as demais, que fazem o mesmo até chegar à última, que é obrigada a engolir. Numa das noites, veteranas urinaram nas calouras e os veteranos obrigaram calouros a dançar pelados", diz a denúncia.

A Promotoria concluiu que os calouros foram colocados em situação de absoluta inferioridade, ameaçados de serem condenados ao “suicídio social”, pois caso não aceitassem as regras impostas pelos alunos mais antigos seriam excluídos do convívio da comunidade médica, com forte risco de hostilidade na época de estágios em hospitais. 

A gravidade da situação era tamanha que motivou a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Assembleia Legislativa de São Paulo e a produção de matérias jornalísticas em vários veículos de imprensa.  

O MPSP propôs a suspensão do processo mediante algumas condições, como o pagamento de prestações pecuniárias que atingem a marca de R$ 1,25 milhão em favor da Apae de São José do Rio Preto e a proibição de frequentar bares, casas de prostituição, locais onde se explorem jogos de azar e afins. A defesa dos denunciados, no entanto, questionou as condições impostas e impetrou pedidos de habeas corpus. Com isso, a audiência para o oferecimento da proposta de suspensão do processo ficou cancelada até julgamento final do habeas corpus.


Núcleo de Comunicação Social

Ministério Público do Estado de São Paulo - Rua Riachuelo, 115 – São Paulo (SP)
comunicacao@mpsp.mp.br | Tel: (11) 3119-9027 / 9028 / 9031 / 9032 / 9039 / 9040 / 9095
espaço
espaço

MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO

Rua Riachuelo, 115 - São Paulo - CEP 01007-904 - PABX: 11 3119.9000

Horário de Atendimento: das 9h às 19h

Todos os direitos reservados

 
espaço