Vice-prefeito é o mandante, diz polícia

Fonte: Jornal Cruzeiro do Sul, por Marcelo Roma, em 27/3/08

Investigações resultaram na prisão de mais três acusados de matar o advogado Humberto da Silva Monteiro, em 2006

Mais três acusados de matar o advogado Humberto da Silva Monteiro e tentar matar o radialista Josué Dantas Filho, em Itu, no dia 26 de janeiro de 2006, foram presos na semana passada. A investigação da Polícia Civil e Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaerco), do Ministério Público, confirmou que o crime aconteceu a mando do empresário e vice-prefeito de Itu, Élio Aparecido de Oliveira Júnior.

Os presos são Tiago Martins Bandeira, 21 anos; Eduardo Aparecido Crepaldi, também 21; e Luís Antônio Roque, o Tonhão, 40. Tiago e Eduardo seriam os executores e Luís era segurança de Oliveira Júnior. Estão presos desde fevereiro de 2006 pelo mesmo crime o ex-policial militar Nicéias Brito (também segurança de Oliveira Júnior) e o ex-chefe de torcida organizada Força Jovem, do Ituano, José Roberto Trabachini. O vice-prefeito era presidente do clube de futebol.

Delegados e promotores deram uma entrevista coletiva ontem de manhã no auditório da Delegacia Seccional de Sorocaba e falaram sobre as novas prisões, que reforçam a acusação contra Oliveira Júnior. Participaram os delegados André Moron (seccional), Maurício Orfali e Simona Ricci Scarpa Anzuíno, e os promotores Wellington dos Santos Veloso, Flávio Eduardo Turessi e Wilson Velasco Júnior, do Gaerco.

De acordo com Wellington Veloso, hoje o crime está totalmente esclarecido, em conseqüência da identificação e prisão dos executores e intermediários. Tiago é quem teria feito os disparos e Eduardo pilotou a motocicleta. Cada um recebeu R$ 1 mil pelo serviço, pagos no mesmo dia por Luís Antônio, segundo o promotor. O alvo era o radialista, explica o delegado seccional. Mesmo matando a pessoa errada, pegaram o dinheiro. Humberto Monteiro o acompanhava, no centro de Itu, e foi morto com um tiro na cabeça. Dantas dirigia o carro e não se feriu.

Pedido de prisão

Dos seis acusados, apenas o vice-prefeito de Itu não foi preso. Wellington Veloso lembra que em 2006 o Ministério Público já pediu a prisão dele. O pedido foi analisado pelo Tribunal de Justiça, que não autorizou. Para o promotor, existe expectativa de que Oliveira Júnior possa ser preso, como os demais, a partir do assentamento de forma cabal e definitiva de sua autoria. Foram colhidas provas mais contundentes contra o vice-prefeito, diz Wellington. A arma usada no crime não foi encontrada, mas os policiais chegaram até a moto, que já tinha sido vendida.

Segundo André Moron, ao encomendar o atentado contra o radialista, Oliveira Júnior assumiu os riscos, mesmo que a ordem fosse para não matar. O motivo do crime foram as críticas e denúncias que Dantas Júnior fazia ao vice-prefeito em seu jornal tablóide. Algumas charges o ridiculizariam. Oliveira Júnior deve ser interrogado em novo inquérito, que trata da prisão de Tiago, Eduardo e Luís Antônio, na semana passada. Os três foram presos em Itu, entre 16 e 17 de março.

A reconstituição do crime deve ser realizada nos próximos dias e no próprio local do crime, observa o delegado seccional. Segundo Wellington, o inquérito segue, por enquanto, separado do processo na Justiça que abrange a primeira fase das investigações. Nesse processo, Oliveira Júnior, Nicéias Brito e José Roberto Trabachini são réus no júri popular que ainda não foi marcado.

Programa de televisão

Oliveira mudou-se para Ribeirão Preto, onde apresenta um programa de televisão com seu nome na emissora afiliada à Rede Bandeirantes e mantém uma empresa de marketing esportivo associada ao clube Comercial, que disputa a séria A-2 do Campeonato Paulista. Uma equipe do programa esteve na entrevista coletiva de ontem. Ele continua como vice-prefeito de Itu, mas não costuma aparecer na Prefeitura. Em caso de licença do prefeito Herculano Castilho Passos Júnior (PV), é Oliveira quem ocuparia o cargo.

A reportagem tentou contato com ele por meio de sua secretária, em Ribeirão Preto. Oliveira Júnior não estava. Ela disse que o chefe viajou para tratar da contratação de jogadores. A reportagem também tentou falar com seu advogado, Laerte de Macedo Torrens.