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Criminal

Autoridades detalham Operação Dark Trader, que resultou no sequestro de mais de R$ 1 bi

Ivan Agostinho destaca importância do GAEPP para asfixiar crime financeiramente

O subprocurador-geral de Justiça Criminal, Ivan Agostinho, definiu o Grupo de Atuação Especial de Persecução Patrimonial (GAEPP) como uma ferramenta importantíssima para acompanhar os casos em que há ocultação de bens e valores obtidos por esquemas fraudulentos. A afirmação foi feita durante entrevista coletiva concedida ao lado do secretário de Estado da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, do subsecretário adjunto da Receita Estadual, Paulo Pacello, do delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, e de outras autoridades que participaram da Operação Dark Trader, deflagrada nesta quinta-feira (12/2) com o objetivo de desarticular um sofisticado esquema de lavagem de capitais e ocultação patrimonial, estruturado a partir de um grupo empresarial que distribuiu produtos eletrônicos na capital paulista com atuação nacional.

O GAEPP obteve o sequestro judicial de imóveis de alto valor, veículos de luxo, aplicações financeiras e dezenas de contas bancárias, perfazendo um total superior a R$ 1 bilhão. Há indícios de ligação com organização criminosa chinesa e integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital). Agostinho, em conversa com os jornalistas, ressaltou que o GAEPP, criado pelo procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, há apenas um mês, vem se somar a expertise do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (GEDEC), reforçando um dos pilares da política criminal do MPSP: asfixiar financeiramente as organizações criminosas.

A organização utilizava engenharia financeira complexa para desviar e pulverizar recursos, dificultando o rastreamento. O esquema funcionava assim: 
    •    As vendas eram realizadas por uma empresa principal do grupo;
    •    Os pagamentos eram redirecionados para empresas de fachada;
    •    Notas fiscais frias eram emitidas por terceiros;
    •    As contas funcionavam como “contas-balde”, destinadas a concentrar valores;
    •    Posteriormente, os recursos eram pulverizados em contas de terceiros e “laranjas”.

Ao todo, 32 pessoas são investigadas, sendo 18 pessoas físicas e 14 pessoas jurídicas, além de 36 contas bancárias monitoradas e bloqueadas.

De acordo com o que foi apurado, o líder da organização é o responsável pelo envio de vultosos valores às empresas fictícias, coordenando a emissão de notas fiscais frias e a redistribuição do dinheiro. Contadores ligados ao grupo operaram para formalizar os documentos e fragmentar os valores.

Há ainda uma coordenadora da organização e integrantes responsáveis pelas operações comerciais simuladas em nome das empresas de fachada.