Justiça recebe denúncia do MPSP contra grupo de traficantes ligado ao PCC
Justiça recebe denúncia do MPSP contra grupo de traficantes ligado ao PCC
Mais de 70 pontos estavam sob o comando dos criminosos
Nesta sexta-feira (24/7), a Justiça recebeu a denúncia apresentada pelo MPSP contra cinco integrantes de uma organização criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) investigada por associação para o tráfico de drogas e organização criminosa em Itaquaquecetuba, Guarulhos, Itaim Paulista e região. Na mesma decisão, a 2ª Vara Criminal de Itaquaquecetuba converteu em preventivas as prisões temporárias de dois denunciados e decretou a prisão preventiva de outros três acusados.
Segundo a denúncia oferecida por Renata Borba Montes, promotora de Justiça de Itaquaquecetuba, os criminosos integraram uma estrutura estável e hierarquizada, responsável por abastecer, distribuir e comercializar entorpecentes em mais de 70 pontos. O grupo cometeu fraudes eletrônicas e bancárias, receptação de veículos e bens de origem ilícita, circulação e ocultação de recursos criminosos e delitos correlatos.
As investigações revelaram comercialização de maconha, skunk, haxixe tipo “dry”, ecstasy e outras substâncias. Para preservar as atividades, usavam WhatsApp e Zangi, mensagens temporárias ou de visualização única, linguagem cifrada e contas bancárias próprias e de terceiros.
Nas comunicações, “loja” designava ponto de tráfico, “arame”, o dinheiro arrecadado, “chequinhos”, os registros de controle, “bolsas”, os operadores diretos e expressões como “moiado” e “VT” indicavam presença policial.
Um grupo denominado "Motocas Mil Graus”, no aplicativo Zangi, era usado para a execução e o controle das atividades e seus membros informavam o início e o encerramento das tarefas, comunicavam intercorrências, advertiam sobre viaturas e operações policiais, relatavam a coleta de valores e recebiam cobranças sobre protocolos de segurança.
Mensagens institucionais com o lema “PJLI” e “Salves Gerais” evidenciaram alinhamento às determinações e à disciplina do PCC.
Na decisão, a Justiça considerou presentes os requisitos legais para a prisão preventiva, entendendo que a liberdade dos acusados poderia favorecer "a continuidade da estrutura criminosa, a ocultação de valores e ativos, a destruição de provas digitais, a intimidação ou alinhamento de integrantes e a rearticulação dos pontos de venda. O modo de atuação do grupo - comunicação cifrada, migração para plataformas criptografadas, uso de contas de terceiros, compartimentação de funções e destruição de aparelhos demonstra risco concreto à ordem pública e à instrução criminal".