Atuação do MPSP leva ao aumento de pena para médico de Caraguatatuba que recebia sem trabalhar
Atuação do MPSP leva ao aumento de pena para médico de Caraguatatuba que recebia sem trabalhar
Condenação por estelionato inclui obrigação de ressarcir erário
Um médico que fazia parte do quadro de servidores municipais de Caraguatatuba e passou cerca de sete anos recebendo sem trabalhar teve sua pena aumentada a pedido do MPSP nesta quarta-feira (3/12). A sentença por estelionato foi de 2 anos e 7 meses de reclusão em regime aberto para 3 anos e 4 meses de reclusão. Ele ainda deverá ressarcir o prejuízo causado ao erário em R$ 1.095.347,06.
Segundo os autos, o réu permaneceu em licença-saúde por mais de sete anos, período em que continuou a atuar normalmente em sua clínica particular, inclusive emitindo laudos para servidores públicos, viajando e realizando atividades físicas, apesar de alegar incapacidade laboral. A fraude somente veio à tona após procedimento administrativo disciplinar comprovar que ele sempre esteve apto ao trabalho, induzindo o município em erro por meio de artifícios reiterados.
No recurso apresentado pelo MPSP, a procuradora de Justiça Águeda Maria Barbosa Hajar sustentou a necessidade de majoração da pena diante do elevado prejuízo ao erário, da longa duração da fraude, da posição de confiança ocupada pelo réu e das circunstâncias judiciais desfavoráveis. Ela também argumentou que a conduta revelou personalidade altamente censurável, marcada por comportamento reiterado e consciente voltado à obtenção de vantagem ilícita.
Ao acompanhar esses fundamentos, o relator do recurso, desembargador Euvaldo Chaib, destacou o fato de a culpabilidade do condenado ser mais acentuada em virtude de sua função médica. O magistrado acrescentou ainda que o réu demonstrou padrão de comportamento incompatível com a função pública.
O caso teve atuação também dos promotores Renato Queiroz de Lima, Alexandre Petry Helena e Valério Moreira de Santana.