Estado vai cooperar com MPSP para mensurar prejuízos aos cofres públicos no âmbito da Operação Ícaro
Estado vai cooperar com MPSP para mensurar prejuízos aos cofres públicos no âmbito da Operação Ícaro
PGJ, Bodini, Ricupero e Volpato concederam entrevista coletiva nesta terça-feira
Em entrevista coletiva, o procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, e os promotores Roberto Bodini, João Ricupero e Igor Volpato, todos do Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (GEDEC), ressaltaram que a Secretaria de Estado vai auxiliar nos desdobramentos da Operação Ícaro, que foi deflagrada nesta terça-feira (12/8) para desarticular um esquema de corrupção envolvendo auditores fiscais.
"Agora vêm os movimentos seguintes para a apuração dos prejuízos aos cofres públicos", disse o PGJ. "Nós pretendemos fazer um trabalho em conjunto com a Secretaria da Fazenda", disse Ricupero. "Nós conseguimos detectar e comprovar que houve o pagamento de valores ilícitos para funcionários públicos, que por sua vez facilitaram a obtenção de favores fiscais para essas empresas", afirmou Bodini. "Tudo será especificado com a análise do material que foi objeto da busca e apreensão na data de hoje", comentou Volpato.
A investigação conduzida pelo GEDEC identificou um grupo criminoso responsável por favorecer empresas do setor de varejo em troca de vantagens indevidas.
Foram cumpridos três mandados de prisão temporária, incluindo o de um fiscal de tributos estadual, apontado como o principal operador do esquema, e os de dois empresários, sócios de empresas beneficiadas com decisões fiscais irregulares. Além das prisões, os agentes deram cumprimento a diversos mandados de busca e apreensão em endereços residenciais dos alvos e nas sedes das empresas investigadas.
De acordo com a apuração, o fiscal manipulava processos administrativos para facilitar a quitação de créditos tributários às empresas. Em contrapartida, recebia pagamentos mensais de propina por meio de uma empresa registrada em nome de sua mãe. Constatou-se também que o fiscal já recebeu, até este momento, mais de R$ 1 bilhão em propina.
A operação é fruto de meses de trabalho investigativo, com análise de documentos, quebras de sigilo e interceptações autorizadas pela Justiça. Os investigados poderão responder pelos crimes de corrupção ativa e passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.