Médica que vendia 'soro' contra coronavírus pagará indenização após acordo com MPSP
Médica que vendia 'soro' contra coronavírus pagará indenização após acordo com MPSP
Isabella Abdalla usava redes sociais para anunciar substância sem eficácia comprovada
O Ministério Público de São Paulo, por meio do promotor de Justiça Ramon Lopes Neto, firmou termo de ajustamento de conduta (TAC) com a médica Isabella Resende Abdalla, que usou o Instagram para divulgar um 'soro da imunidade', vendido em seu consultório como solução contra o novo coronavírus. Pelos termos do TAC, a profissional da saúde se compromete a deixar de anunciar e vender qualquer produto que não tenha comprovação científica ou desrespeite o estabelecido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou pelos Conselhos Federal e Regional de Medicina.
O acordo com o MPSP estabelece ainda que Isabella deverá pagar, em razão dos vídeos veiculados em rede social, a quantia de R$ 18 mil, dividida em quatro parcelas mensais, iguais e sucessivas. O primeiro pagamento deve ocorrer até o próximo dia 5 de maio, sendo os recursos direcionados ao Fundo Municipal de Defesa dos Direitos Humanos de Ribeirão Preto.
Caso descumpra o TAC, a médica pagará multa de R$ 18 mil por cada anúncio realizado, além de R$ 3 mil para cada venda de produto ou serviço.
Nas redes sociais, Isabella aparecia afirmando que o 'soro da imunidade' era composto de 'alta dose de vitamina C, outras vitaminas e antioxidantes'. Porém, não existe qualquer estudo que indique que o coquetel oferecido por ela tenha efeito de proteger contra o coronavírus.
A resolução 1.974 do Conselho Federal de Medicina proíbe médicos de 'fazer propaganda de método ou técnica não aceito pela comunidade científica'.
Após a enorme repercussão da mensagem sobre o 'soro da imunidade', a médica bloqueou suas redes sociais, o que não impediu a Promotoria de instaurar inquérito sobre o assunto.