MP-SP lança documentário sobre formação de agentes de saúde para enfrentamento de violência doméstica
MP-SP lança documentário sobre formação de agentes de saúde para enfrentamento de violência doméstica
Há dois anos, eram poucas as mulheres moradoras do distrito de Cidade Tiradentes, localizado no extremo Leste da capital, que conheciam a Lei Maria da Penha. Hoje, são mais de 70 mil mulheres empoderadas sobre os seus direitos. Em um dos distritos mais vulneráveis de São Paulo, nasceu o projeto 'Prevenção da Violência Doméstica com a Estratégia de Saúde da Família', um trabalho de formação de agentes comunitárias de saúde pelo Ministério Público de São Paulo para o enfrentamento à violência contra a mulher e que agora é apresentado em um documentário inédito produzido pelo MP-SP.
Na última sexta-feira (11/12), em meio à apresentação do balanço de dois anos do projeto idealizado pelo Grupo de Enfrentamento à Violência Doméstica (GEVID) - Núcleo Leste II, em parceria com as Secretarias Municipais de Saúde (pela Coordenadora Regional de Saúde Leste) e Assistência Social (pelo Centro de Defesa e Convivência da Mulher 'Casa Anastácia'), em um evento no teatro do Centro Educacional Unificado (CEU) Inácio Monteiro que reuniu cerca de 200 pessoas, dentre elas todos os seus participantes, foi lançado o documentário (cena ao lado) que mostra
a capacitação das 160 agentes comunitárias de saúde, e o desenvolvimento de ações e estratégias que contribuam com a prevenção da ocorrência e ou, agravo da violência doméstica, por meio da difusão de informações acerca da violência de gênero e dos direitos evocados pela Lei Maria da Penha, assim como dos mecanismos disponíveis de proteção ofertados pela rede de atendimento e acompanhamento às mulheres.
Para a Promotora de Justiça Fabíola Sucasas Negrão Covas, idealizadora do projeto, 'lidar com violência contra a mulher não é apenas lidar com um estigma cultural arraigado, o machismo. É mexer com sentimento, é mexer com a construção de uma vida. É lidar com o meio social, com a maleficência das drogas, com a omissão estatal. É lidar com a dor'.
Para ela, foram as potencialidades de Cidade Tiradentes, com suas mazelas e com suas mulheres fortes, que ajudaram fazer do projeto um sucesso, ao atingir mais de 35 mil lares, totalizando cerca de 140 mil pessoas. 'Muito discutimos nesses dois anos. Refletimos sobre a realidade de Cidade Tiradentes, sobre suas implicações territoriais, vulnerabilidades, família, relações íntimas de afeto, machismo, violência contra a mulher. Em Cidade Tiradentes há um mundo capaz de transformar.'
O Subprocurador-Geral de Justiça de Relações Externas, José Antonio Franco da Silva, que representou no evento o Procurador-Geral de Justiça, Márcio Fernando Elias Rosa, registou a importância do projeto para o MP-SP. 'Temos a a certeza de que os ganhos são evidentes', declarou e destacou que 'este projeto demonstra a importante mudança na forma de atuar do Ministério Público: pela prevenção'.
Para a Coordenadora da Coordenadoria-Regional de Saúde Leste, Claudia Maria Afonso de Castro, as agentes comunitárias da saúde que participaram do projeto serão para sempre reconhecidas como as agentes que mudaram a vida das mulheres de Cidade Tiradentes. 'Ficamos felizes que uma ação dessa grandeza esteja aqui para mudar pessoas a lidar com um tema tão delicado: a violência doméstica', disse.
O Subprefeito de Cidade Tiradentes, Miguel Reis Afonso, lembrou que o trabalho integrado que nasceu do projeto sempre se mostrou um sucesso. Para ele, 'uma das formas de garantir cidadania é integrando o trabalho' entre as várias instituições que estão a serviço da população.
Durante o evento, todas as agentes de saúde se reuniram para mostrar alguns exemplos dos trabalhos realizados nos anos de 2014 e 2015 e destacaram a importância da entrega da cartilha 'Mulher, Vire a Página', do GEVID, para as mulheres de Cidade Tiradentes. 'Essa cartilha é o caminho para sair do labirinto das dúvidas, ela é o caminho para o conhecimento', disse a agente de saúde Catarina Jesus Santos.
Para Leandro Feitosa, do Coletivo Feminista, que também palestrou no evento, 'homens precisam conversar com outros homens sobre suas impotências. Homens também precisam virar a página', ao fazer menção à cartilha Mulher, Vire a Página, criada pelo GEVID, sobre violência doméstica.
Participaram também do evento a Secretária Adjunta da Saúde Célia Bortoleto; os assessores da Coordenadora Regional de Saúde Leste Amelia de Freitas, Sérgio Matsudo e Eliane Katy; a Supervisora Técnica de Saúde de Cidade Tiradentes, Marta Calixto de Jesus; Fabiana Pitanga da Silva, coordenadora da Casa Anastácia; a Promotora de Justiça Fernanda Narezi, também do GEVID Núcleo Leste II; a equipe técnica do GEVID.
Leia aqui o discurso da Promotora de Justiça Fabiola Sucasas Negrão Covas.