Em Jandira, concursos públicos irregulares são anulados após pedido da Promotoria de Justiça
Em Jandira, concursos públicos irregulares são anulados após pedido da Promotoria de Justiça
Valores de inscrições deverão ser devolvidos aos candidatos
Em 8 de novembro, a Justiça anulou os concursos públicos 01/2023, 02/2023, 03/2023 e 01/2024, todos realizados pela Prefeitura de Jandira. Pela mesma decisão da 2ª Vara local, o município e o Instituto de Cultura, Desenvolvimento Educacional, Promoção Humana e Ação Comunitária (INDEPAC) deverão devolver, solidariamente, os valores das inscrições aos candidatos prejudicados. A sentença, que atende ao pedido do Ministério Público de São Paulo, veio após uma série de relatos dando conta de irregularidades que comprometeram a transparência e a imparcialidade dos certames.
O caso foi objeto de ação movida pelo promotor Bruno Morais Ferreira, que identificou problemas graves nos concursos organizados pelo INDEPAC. Entre as principais irregularidades estavam o uso de notas fracionadas em desacordo com o edital, falta de segurança nas etapas de correção das provas e problemas de atendimento aos candidatos. A Promotoria apurou que a atribuição de notas aos candidatos não seguiu os critérios definidos no edital, além de dificultar a apresentação de recursos por parte dos concorrentes. Isso levantou suspeitas de favorecimento.
Outro ponto controverso foi a contratação direta do INDEPAC, que ocorreu sem licitação, com base em dispensa prevista na Lei nº 8.666/93. No entanto, Ferreira demonstrou que a entidade não atendia aos requisitos legais, pois faltava a comprovação de reputação ético-profissional e da capacidade técnica para realizar concursos de grande porte. O processo também apontou que o INDEPAC não dispunha de um sistema de filmagem em tempo integral para garantir o sigilo das provas, conforme exigido no termo de referência do contrato. Essa lacuna comprometeu a lisura dos certames, uma vez que não havia controle adequado para prevenir fraudes.
As investigações revelaram ainda que o INDEPAC não disponibilizou canais de comunicação efetivos para atender os candidatos, que enfrentaram dificuldades para obter informações e relatar problemas durante o processo. Também foram denunciados casos de candidatos com vínculos com agentes públicos municipais que obtiveram classificações elevadas nos concursos, o que levantou dúvidas sobre a imparcialidade dos resultados.
Em razão dessas inconsistências, três dos concursos já haviam sido suspensos por decisão liminar, concedida em janeiro deste ano também a pedido da Promotoria.