GAECO reforça pedido de condenação de policiais e integrantes de facção investigados na Operação Tacitus
GAECO reforça pedido de condenação de policiais e outros réus da Operação Tacitus
Promotores requereram perda de cargos e pagamento de R$ 40 milhões por cada acusado
Em memorial levado à Justiça no dia 20 de maio, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) reforçou o pedido de condenação de 11 pessoas, sendo sete policiais civis, por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro, usura, corrupção e tráfico de drogas. Denunciados em fevereiro de 2025, os réus são apontados como integrantes do PCC e foram investigados no âmbito da Operação Tacitus, que se debruçou sobre um esquema que envolvia a cobrança de propina de Antônio Vinícius Gritzbach, executado em 2024 no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.
Além das condenações criminais, o Ministério Público requereu a decretação da perda dos cargos públicos dos policiais denunciados e o pagamento de, no mínimo, R$ 40 milhões por acusado, a título de ressarcimento por dano moral coletivo e dano social, em razão dos prejuízos causados à administração pública, à segurança pública e à sociedade.
Segundo o memorial, as investigações apontaram que os denunciados integravam uma estrutura voltada à promoção dos interesses do PCC, atuando na lavagem de capitais oriundos principalmente do tráfico de drogas e de crimes contra a administração pública. As apurações identificaram movimentações milionárias, aquisição dissimulada de imóveis de alto padrão, uso de empresas de fachada e ocultação patrimonial em benefício de integrantes da facção criminosa.
O documento também sustenta que policiais civis denunciados teriam exercido papel estratégico para a organização criminosa, utilizando as funções públicas para favorecer integrantes da facção, garantir proteção às atividades ilícitas e obter vantagens indevidas. Entre os fatos narrados estão suspeitas de solicitação de propina, recebimento de presentes de alto valor e apropriação de relógios de luxo durante o cumprimento de mandados judiciais.
De acordo com o GAECO, o conjunto probatório reunido ao longo da investigação inclui análises financeiras, quebras de sigilo bancário e telemático, documentos apreendidos, depoimentos de testemunhas, relatórios de inteligência e elementos obtidos a partir da colaboração premiada de Antônio Vinícius Gritzbach. Para o Ministério Público, as provas demonstram a existência de uma rede estruturada de colaboração entre integrantes da facção e agentes públicos corrompidos, voltada à manutenção e expansão das atividades ilícitas do PCC.